Como tudo começou…
Novembro de 2021. Eu tinha 56 anos e, tendo atravessado um dos períodos mais desafiadores da pandemia, fazia quase três anos que não pisava num consultório médico — desde 2019. Foi nesse cenário que minha menstruação, que sempre foi pontual como um relógio, simplesmente falhou.
Procurei minha ginecologista e pedi que solicitasse uma bateria completa de exames para otimizar o tempo no dia da consulta.
E foi exatamente isso que aconteceu: sentei na frente dela, e ela me disse que eu estava na perimenopausa. Naquela mesma conversa, ela me explicou os benefícios da terapia hormonal e disse que, no meu caso, não era preciso esperar a menopausa se consumar para começar. Ainda na perimenopausa, iniciei a Terapia de Reposição Hormonal (TRH).
Existe um conceito conhecido como “janela de oportunidade”: para muitas mulheres saudáveis que têm indicação de terapia hormonal, a relação entre benefícios e riscos tende a ser mais favorável quando ela é iniciada antes dos 60 anos ou dentro dos primeiros 10 anos após o início da menopausa. A decisão, porém, é individual e depende do histórico e das condições de saúde de cada mulher.
Em meados de 2022, já com 57 anos, o fluxo menstrual ficou tão intenso que absorventes comuns não davam conta — para dormir, eu precisava recortar fraldas.
Por que eu não entrei em pânico (como eu acreditava que entraria)
Se você já leu meu post anterior, sabe que essa calma não veio por acaso. Foi fruto de quase duas décadas de preparação. Eu estudava sobre o tema, ouvia especialistas em quem confiava, pesquisava incansavelmente — e, mais importante, colocava cada informação em prática, uma de cada vez, ano após ano.
Quando finalmente entrei na menopausa, com quase 58 anos, eu simplesmente não reconheci nela os sintomas e queixas que tantas mulheres relatam. Ela passou quase em silêncio.
Isso não quer dizer que passou batida por completo. Só depois passei a considerar que alguns sintomas que eu vinha sentindo — uma coceira no ouvido tão intensa que às vezes chegava a inflamar e um olho seco persistente — poderiam também estar relacionados às mudanças dessa fase. Eram sintomas que eu nunca havia associado à menopausa e que só comecei a observar em retrospecto.
Um detalhe, porém, merece atenção — e quero compartilhar porque pode ajudar outras mulheres: por causa dos sangramentos irregulares que já vinha tendo, não consigo afirmar com exatidão a data em que parei de menstruar de fato.
Passei por três ginecologistas diferentes que não deram a devida atenção a esse sangramento, atribuindo-o simplesmente à reposição hormonal. Isso é, sim, motivo de atenção. Não me contentei com essa resposta e procurei uma quarta médica, que solicitou uma histeroscopia. O exame revelou um pólipo, que foi removido logo em seguida.
Como entrei na menopausa mais tarde do que a média, há os seus beneficios e também riscos. Por issso, tenho acompanhado essa fase de perto , e mantenho meu acompanhamento médico regular.
O bem-estar na menopausa não acontece por uma estratégia isolada. Não existe fórmula mágica — existe um conjunto de escolhas e cuidados sustentados ao longo do tempo. É isso que sustento até hoje:
- Higiene do sono: mantenho todas as estratégias que construí para um sono reparador. E sim, tenho minhas noites difíceis — tenho um filho autista e, quando ele não dorme bem, eu também não durmo.
- Movimento: treino musculação com progressão de carga pelo menos seis vezes por semana, incluindo treino específico de força, mobilidade e exercícios de equilíbrio — com atenção especial ao treino de membros inferiores.
- Alimentação: começo o dia tomando 600 ml de água e também tenho um shot que faz parte da minha rotina. Incluo proteína em cada refeição, mantendo a meta que contei no post anterior. Bebo bastante água e cuido com muita atenção do meu intestino.
- Equilíbrio hormonal: sigo minha terapia hormonal conforme o acompanhamento médico.
- Suplementação: faço reposição de nutrientes específicos através de suplementação direcionada.
- Mente: também cuido da parte cognitiva de outras formas. Leio, estudo, atualmente estou aprendendo italiano e fortaleci muito minha mente estudando sobre autoconhecimento. Vejo o exercício físico como parte desse cuidado — inclusive por isso presto tanta atenção à força e aos membros inferiores.
Na minha experiência, informação, acompanhamento adequado e escolhas que consegui sustentar ao longo do tempo fizeram diferença na forma como atravessei essa fase.
Depois da menopausa, uma pergunta virou quase um mantra nas minhas consultas com a médica querida que está me acompanhando: como chego aos 80 esbanjando vitalidade — força física, produtividade, cognição preservada, treinando, independente… plena?
Hoje, aos 61 anos, sinto-me mais potente, inteligente, forte e com mais vitalidade.
O que aprendi
- A menopausa não é o fim de nada — é o início de uma nova fase, cheia de possibilidades e liberdade.
- Cada mulher vive essa experiência de forma única, e não existe uma solução única que funcione para todas.
- O autocuidado não é luxo, é necessidade. Priorizar o nosso bem-estar é fundamental para navegar essa transição.
- A informação é poder. Quanto mais soubermos sobre o nosso corpo e as mudanças que estão acontecendo, melhor podemos cuidar de nós mesmas.
Importante
Este conteúdo tem caráter informativo e relata experiências pessoais. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento individualizado.
