Pular para o conteúdo

Como Me Preparei para a Menopausa a Partir dos 40

  • Blog

O que mudei aos 40 para chegar à menopausa sem medo

Jaqueline Pascucci realizando agachamento no cross-over
Treino de força e equilíbrio, em 12 de maio de 2014.

Eu me lembro exatamente do que senti ao completar 40 anos. Não foi euforia. Foi medo.

Durante toda a minha juventude, a palavra “menopausa” vinha acompanhada de um pavor silencioso. Eu havia assistido de perto ao sofrimento profundo da minha mãe e das minhas tias — mulheres que eu amava e que pareciam se perder em meio a um turbilhão de sintomas sem fim. Diante daquela dor, fiz uma promessa para mim mesma: comigo não será assim. Eu me recuso a aceitar esse roteiro.

Hoje, aos 61 anos, escrevo este texto com uma vitalidade que a maioria das pessoas não associa a essa fase da vida. Mas essa força não nasceu do nada; ela foi construída de forma consciente ao longo das últimas duas décadas.

O plano silencioso

Sempre tratei a saúde como prioridade absoluta. Para você ter uma ideia, no dia 30 de setembro de 1994, a data do meu casamento, eu estava na academia treinando às seis horas da manhã. Assim que cheguei, logo me perguntaram espantados:

“O que você está fazendo aqui? Você não casa hoje?”

E eu respondi, bem-humorada: “Esse é o meu dia de noiva, ué!”

Também treinei firme durante as minhas duas gestações — algo que, há quase 30 anos, era um tabu imenso e cercado de preconceitos.

Jaqueline Pascucci grávida, na hidroginástica em 1998 e treinando em 2001
Nas minhas duas gestações: hidroginástica em 1998 e treino em 2001.

Aos 19 anos, quando pisei em uma academia pela primeira vez, a musculação era vista por muitos como pura vaidade e futilidade. Recebi críticas por treinar tão jovem, mas segui em frente. O que ninguém sabia é que eu carregava um plano de longo prazo: aos 20 anos, eu estava blindando o meu corpo para os 40; e aos 40, comecei a pavimentar a estrada para chegar saudável aos 60.

Cada década da nossa vida é a fundação que sustenta a estrutura da próxima.

Logo que mudei de década, passei a ser acompanhada por um ginecologista focado em medicina integrativa. Entrei no consultório decidida e fiz a pergunta que guiaria meus próximos vinte anos:

“Me fala tudo o que eu preciso fazer para entrar na menopausa sem sofrimento.”

Não era uma dúvida casual. Era uma busca ativa por um mapa preventivo, quase um pedido de socorro antecipado. Entendi cedo que a menopausa não deveria ser tratada como algo terrível que simplesmente “acontece e nos pega de surpresa”, mas sim como um evento biológico para o qual podemos nos preparar.

Os pilares da minha virada de chave

Para construir essa estrutura de proteção, mudei hábitos com profunda disciplina e consistência:

  • O sono como remédio diário: a higiene do sono tornou-se minha prioridade absoluta. Dormir bem passou a ser tratado como o meu principal pilar regenerativo diário.
  • Massa magra como poupança: treinei musculação focando na progressão consciente de carga, com o objetivo de hipertrofia e, assim, construir uma poupança muscular robusta.
  • O segredo da proteína: compreendi que, para sustentar meu treino e preservar massa muscular, eu também precisava prestar atenção à proteína. Hoje tenho uma meta diária de 1,8 g por quilo de peso corporal e, como nem sempre consigo alcançá-la apenas nas refeições principais, uso também os intervalos entre elas de forma estratégica. Essa é a minha meta pessoal — necessidades de proteína variam conforme idade, atividade física, saúde e outros fatores.
  • Sem açúcar: tirei o açúcar do meu dia a dia aos poucos. Foi um processo gradual e, hoje, simplesmente não sinto falta.
  • Suplementação direcionada: faço uso de alguns suplementos como parte da minha rotina. Não os vejo como atalhos nem como substitutos de alimentação, sono ou exercício. Com o tempo, aprendi que suplementação precisa ser pensada de forma individual: o que faz sentido depende da alimentação, das necessidades de cada pessoa, de exames, saúde e contexto.

Uma transformação que nasceu do amor de mãe

Nossa alimentação mudou de forma ainda mais radical há 21 anos, impulsionada pelo amor ao meu filho, Paulinho, que é autista nível 3 de suporte. Quando o médico dele recomendou a exclusão total do glúten e da caseína, meu coração de mãe não aceitou a ideia de comer um pão quentinho na frente dele enquanto ele apenas observava.

Naquela época, os mercados não tinham prateleiras cheias de opções especiais sem glúten ou sem caseína. Mas descobri que uma mãe havia escrito um livro chamado “Autismo, esperança pela nutrição”, repleto de receitas sem glúten e sem caseína. Devorei cada página, passei a estudar o assunto profundamente, comprei os acessórios necessários e todos os ingredientes para as receitas.

Reuni meu marido e minha filha e decretei: a partir daquela data, em solidariedade ao Paulinho, não comeríamos absolutamente nada com glúten e caseína dentro de casa.

Como não tínhamos muitas opções prontas, passei a preparar tudo do zero. Nós só comíamos “comida de verdade” e pequenas preparações caseiras sem glúten e sem caseína, cortando totalmente a farinha branca do nosso dia a dia. Com o tempo, o Paulinho acabou voltando a comer glúten e caseína (ele tomava o lanche das outras crianças na escola), mas eu e meu marido continuamos firmes e nunca mais voltamos atrás. O que começou como um gesto de amor pelo meu filho acabou se tornando a forma de alimentação que eu e meu marido mantivemos ao longo dos anos. Desde que retirei o glúten, também deixei de ter as dores de cabeça que antes faziam parte da minha vida. É uma observação da minha experiência, não uma recomendação.

O poder de plantar antes de colher

Quando finalmente atravessei essa transição hormonal, minha experiência foi muito mais tranquila do que eu havia temido aos 40. Não tenho como separar o peso de cada fator — meus hábitos, meu acompanhamento médico, a terapia hormonal e a minha própria biologia. O que sei é que cheguei a essa fase sentindo que havia construído, ao longo dos anos, uma base de cuidado.  Se você está hoje na casa dos 40 ou 45 anos, talvez este seja um bom momento para começar a pensar na base que quer construir para os próximos anos. Ainda dá tempo.

Quer saber como toda essa base se traduziu na prática? No próximo post, eu te conto em detalhes como vivencio a menopausa hoje, aos 61 anos: minha rotina, as minhas escolhas e os desafios reais do dia a dia!

Importante

Este conteúdo tem caráter informativo e relata experiências pessoais. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento individualizado.